Início » Blog » Alimentação Biológica: A saúde com prazer.
Chamamos veneno ao que nos mata rapidamente;
e alimento, ao que nos mata a longo prazo.
Mestre DeRose
A saúde e o aprimoramento interior estão apoiados num tripé formado por bons exercícios, boa cabeça e boa alimentação. Bons exercícios, o Yôga proporciona com suas técnicas corporais; boa cabeça, o Yôga propicia com seu sistema de vida; alimentação biológica, o Yôga também ensina para quem quiser seguir. Ao contrário do que se pensa, é possível nutrir-se de forma saudável com uma alimentação saborosa, colorida, aromática e muito bem condimentada.
Nesta matéria, apresentamos algumas normas que podem melhorar muito a qualidade da alimentação. Mas observe que se tratam de recomendações, que devem ser encaradas sem fanatismo nem paranóia. Alimentar-se também é um ato social, e você não vai querer ser visto como um tipo estranho, vai? Aliás, quanto menos as pessoas ficarem sabendo de nossa opção alimentar, melhor.
Utilize estas normas em seu proveito e, antes de tudo, use e abuse do bom senso.
Não misture sal com açúcar na mesma refeição. Portanto, nada de sobremesas.
De preferência, não use nem o sal nem o açúcar. Procure reduzir esses dois impostores. A redução drástica do sal ajuda muito o aumento de flexibilidade nos ásanas. O sal também torna a pessoa menos sensível, cortando as percepções sutis.
Não misture alho com cebola, nem em pratos diferentes, na mesma refeição.
Não misture frutas ácidas com frutas doces.
Não tome líquidos às refeições. Só meia hora antes ou meia hora depois. (Quando convidados a comer, os índios guaranis da Argentina, costumam responder: “Obrigado. Já bebi.”) Longe das refeições, beber muita água mineral.
Faça rodízio das marcas de água mineral.
Use água mineral até para chás e para cozinhar os alimentos.
Não jogue fora a água que sobrar do cozimento de legumes. Ela é rica em sais minerais e pode ser usada para cozinhar outra coisa como, por exemplo, o arroz. Além da vantagem nutricional, o outro prato fica mais saboroso.
Evite o uso de maioneses, ovos, creme de leite, manteiga e gorduras de origem animal e outras que fiquem em estado sólido sob temperatura ambiente.
O creme de leite pode ser substituído por yoghurt ou por pasta de gergelim (tahine).
Reduza os laticínios ao mínimo possível.
A manteiga, quase sempre, pode ser substituída por azeite de oliva extra virgem, extração mecânica, a frio.
O estado do seu prato pode indicar o grau de limpeza ou sujeira que a comida produziu no seu organismo. Se o prato estiver tão limpo que não precise ser lavado, seu corpo também o estará. Se o seu prato precisar de detergente e água quente para ficar limpo, imagine o estado dos seus órgãos internos após digeri-la.
Adote especiarias, pois além de realçar o sabor ajudam a digestão, auxiliam a processar gorduras, beneficiam o fígado, vesícula, intestinos, dão vitalidade, aumentam a energia sexual e tonificam todo o organismo. São elas: gengibre, cravo, canela, orégano, cominho, tomilho, coentro, curry, noz moscada, cardamomo, manjerona, manjericão, salsa e cebolinha, alho ou cebola.
Adote fibras, alimentos integrais, lêvedo de cerveja, ginseng, alho. Cuidado para não brindar seus amigos com o bafo de alho. A melhor coisa é engolir capsulas de óleo de alho ou dentes inteiros de alho à noite, antes de dormir. Assim, pela manhã você já processou e eliminou uma boa parte do “odor-afugenta-parceiro”. Aí, escove os dentes, tome um banho, coma alguma coisa e, para garantir, saia de casa mascando cravo!
Elimine urgentemente as panelas de alumínio. Adote as de vidro, ferro, aço, ágata, barro, pedra, etc. Evite as películas anti-aderentes: ainda não sabemos se são inofensivas.
Olhe e veja o alimento. Não o ingira lendo ou distraindo-se com outra coisa. Você vai notar que o alimento passará a dar mais prazer e satisfará mais com menos quantidade.
UMA EXPERIÊNCIA CÓSMICA
por Mestre DeRose
Adorei a comida da Índia desde o primeiro instante e, como eu, todos quantos a conheceram. Além de saborosíssima, pode-se aceitar o que vier, pois o país é vegetariano e não há perigo de a comida vir com carne de boi, de peixes ou de aves. Por outro lado, se o paladar é superlativo, precisei me adaptar a um pormenor. Tudo vem hipercondimentado com gengibre, cominho, cravo, canela, cardamomo, coentro, curry e chili. Este último é mais ardido que a própria pimenta baiana. Como ainda não estava habituado a comidas tão ricas em especiarias, no segundo dia pedi uma salada de vegetais crus, pois assim, pensava eu, viriam seguramente sem tempero. De fato, recebi uma salada sem sal, sem azeite e sem tempero algum. Comecei a comer e gostei, apesar da falta total do paladar exacerbado dos condimentos. Com apetite, localizei, lá no meio, uma vagenzinha verde. Simpatizei com a cara daquela vagenzinha tão inocente. Mastiguei e engoli. Era o próprio chili! Nunca na minha vida tinha tido uma sensação igual... parecia que ia morrer. Imaginei que beber ácido sulfúrico não devia ser pior. Salvou-me uma garrafa de refrigerante, que sorvi de uma só vez.
Tendo passado por esse batismo de fogo (literalmente de fogo), segui no meu curso de Índia. Nos primeiros dias, era pôr o pé na rua e constatar que mais uma falsa imagem ruía. A primeira fora a alimentação, pois os livros de Yôga, em geral, aconselham usar pouco condimento. Mas mesmo as escolas e mosteiros mais espartanos serviam a comida com um paladar bem requintado e forte. Aí, entendi: para eles, aquilo é que era pouco condimentado. A culinária ocidental seria considerada sem tempero algum.
| 2004 © Mundo do Yoga - Todos os direitos reservados. |